quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Os humanos anônimos

Histórias espetaculares de gente nenhum pouco espetacular. Pelo menos não aos olhos do mundo. Gente que cai, mas que não fica no chão. Gente que luta, que brilha. Humanos anônimos. Donos de histórias extraordinárias, porém desconhecidas. Desimportantes ao resto. Histórias que não viram notícia mas que são a melhor pauta. A vida de gente que vive, todo dia, um dia diferente do nosso. É tudo tão verdade que parece mentira. Cada pedacinho da história esconde um segredo, um medo, uma tragédia. Uma esperança. Histórias que só consegue captar quem tem um olhar diferente. Um olhar decisivo. Um olhar que muda tudo: Eliane Brum.
Nunca havia lido nada sobre ela, até que precisei fazer um trabalho sobre uma reportagem-crônica de seu livro A vida que ninguém vê e me apaixonei. Neste trabalho há todas as crônicas de sua autoria publicadas em 1999 em uma coluna da Zero Hora. E agora eu me pergunto, como não conheci isto antes? Sabe aqueles livros que você lê e te mudam de alguma maneira? Este é um ótimo exemplo. Muda a forma de olhar para o próximo. Muda o sentimento pelo outro.
Eliane Brum tem uma forma espetacular de retratar como diferente o já conhecido - e deixado de lado - por todos. Ela nos mostra com outros olhos a dimensão que pode ter uma vida considerada comum e sem glamour algum. Faz-nos acreditar que somos todos artistas, celebridades, “gente importante” dentro do nosso próprio mundo. Prova que, na verdade, não há nada de comum em viver. No texto “O encantador de cavalos”, por exemplo, é apresentada a importância de um sonho, e o que ele pode causar se for interrompido tão cedo. O texto nos faz ver de forma poética como o amor por cavalos, algo tão incomum para a maioria das crianças deste século, pode mudar toda a história e a vida de uma criança da periferia de Porto Alegre. Em "Adail quer voar" Eliane nos apresenta a história de quem vive tão perto, mas também tão longe de seu sonho. O carregador de malas do aeroporto que nunca entrou em um avião. E assim são todas as histórias de A vida que ninguém vê. Eliane retrata com grande complexidade uma quantia incalculável de sentimentos puros, muitas vezes esquecidos. Esquecidos como a vida dessa gente espetacular que vale a pena ser lembrada.

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